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Os objetivos deste blog são entreter e ensinar. Disponibilizar um acervo confiável de textos para que a Biologia seja uma ciência agradável e compreensível para você. Muito obrigado a todos que visitam o blog, de Brasília, do Rio de Janeiro, de São Paulo - capital e interior, do Sul e do Nordeste, do Amazonas e de Goiás, e até de outros países como Portugal e Estados Unidos. Educação deve ser assim, sem fronteiras e integradora!

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Fotos da escola






Ainda não achei a foto da formatura mas tenho as fotos da minha escola. Chama-se Instituto de Educação Deputado Luiz Pinto, em Valença, RJ. Estudei 12 anos lá, de 1975 a 1987, quando me formei.






Domingo, Dezembro 20, 2009

Comentários da prova do segundo dia

Seguindo a ideia de movimento, os cadernos foram chamados Apollo e Santa Maria. Houve muito pouca interdisciplinaridade, as áreas de conhecimentos pouco conversaram entre si. A biologia foi a disciplina com maior número de itens, em uma prova de pouca abrangência, alguns itens enciclopédicos, alguns itens de provável polêmica. A química foi elogiada. A física veio muito algébrica e retornando à visão tradicional de abordagem. Algumas chances de itens com gabarito polêmico. A matemática veio de forma balanceada e coerente.

Comentários da prova do primeiro dia da UnB

O tema das provas foi transporte. O avião 14 bis e a embarcação onde Darwin navegou ao redor do mundo – o US Beagle – deram nomes aos cadernos. A prova foi trabalhosa e com carga alta de itens de artes, filosofia e literatura – o "Navio negreiro" foi o meio de transporte aqui. A tecnologia e o contemporâneo estiveram presentes nos itens, assim como a globalização. Os pontos fracos ficaram para algumas polêmicas em questões de inglês, espanhol, história e interpretação de texto e a pouca abrangência dos itens de história. Outra tendência é certo retorno a conteúdos e abordagens de vestibulares mais antigos.

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

O coco é a concha do polvo


Relação ecológica é uma associação entre indivíduos, da mesma espécie ou não, em que pelo menos um deles ganha ou perde. Existem várias. Parasitismo, predatismo, amensalismo, competição, canibalismo, sociedade, etc. Os exemplos pululam aqui e ali, as relações podem ser fatores decisivos para a sobrevivência de muitas dos envolvidos. Hoje eu fui surpreendido por um caso no mínimo inusitado: uma relação entre o polvo e o coco.

O polvo é um molusco cefalópode, dotado de qualidades maravilhosas como olho complexo e circulação fechada. É um predador de outros animais marinhos mas deve se proteger da possibilidade da predação. Mas proteger-se dentro de um coco?

Cientistas flagraram um polvo dentro de um coco como um pagurus (um caranguejo) dentro de uma concha. É isso. O coco é a concha do polvo. Logo o filo que tem como característica exclusiva a produção de conchas. Mas o polvo não a produz. É uma apomorfia, ou seja, uma novidade adquirida após a origem do clado.

Existe uma relação ecológica aqui? Digo, entre o coco e o polvo?

Penso que sim. O nome? Inquilinismo, um tipo particular de comensalismo. Uma relação unilateral. Apesar de a monocotiledônea não estar ali, parte formada por ela está sendo utilizada. Também dizemos que há inquilinismo quando achamos um morcego ou uma cascavel dentro de um cupinzeiro abandonado. O cupinzeiro também não faz parte do cupim mas é o que - defendido por Richard Dawkins - seu fenótipo estendido. O fruto do coqueiro é uma continuidade extra-corporal do fenótipo do coqueiro. Utilizado pelo polvo como casa, como cobertura, como uma trincheira no terreno ameaçador da água.




É, meus amigos, não vimos tudo ainda.






Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Discurso de formatura – Galois – formandos 2009

Sra. Dulcinéia Marques, Sr. Angel Prieto, Sr. Euclides Chacon, Srs. Professores, Sra. Cirlene Circodo, srs. funcionários, srs. pais, parentes, amigos, meus estimados alunos,

Antes de mais nada, preciso destacar que existe aqui uma coincidência que tenho que dividir com todos. Vocês fazem parte de um número interessante: são a décima turma de formandos do colégio Galois. A primeira foi em 2000. Lá, éramos pequenos e recentes mas gigantes de intenções, com uma longevidade que não tardaria a se confirmar. Aquele terceiro ano brindou-me com o mesmo presente que vocês estão me dando agora: fui o paraninfo deles e agora, sou o de vocês. Isso é muito honroso. Ser escolhido espontaneamente por vocês tendo aquela constelação sentada ali como "concorrentes", isso é verdadeiramente uma honra.

Fiquei pensando... Como foi comigo? Digo, a formatura do terceiro ano. Como foi comigo? Entremos na máquina do tempo. Estamos agora em 1987 e é véspera da minha formatura. Amanhã à tarde, eu vou me formar, pessoal! Com onze alunos, onze espartanos na extensa desmotivação da educação nos anos 80, de um país muito diferente. Hoje, tenham certeza, temos um país bem melhor. Eu até queria trazer uma fotografia do dia da minha formatura para vocês me verem (eu só tenho uma), depois eu ponho no meu blog. Na foto, estava eu lá, bem diferente de hoje. Eu usava óculos gigantes, aro grosso, lente grossa. Mas olhando para a foto, o que em mais chama a atenção é a minha roupa. Que beleza... A minha roupa... Eu me lembro de detalhes. O meu pai deu-me o equivalente, em dinheiro de hoje, a 100 reais para comprar integralmente minha roupa de formatura. Recebi o dinheiro e pus-me na tarefa de adquiri-la. Para complicar, minha mãe resolveu acompanhar-me nas compras. Tinha essa missão. Cem reais no bolso e uma idéia na cabeça: uma roupa de formatura. Saímos pelo "magnífico", "diversificado" e "ultra-conhecido" comércio de Valença atrás da tal indumentária. Primeiro: a camisa. Um espetáculo! Feita com um tecido tingido, fortemente tingido, tão tingido, que a camisa mal dobrava. Ora isso tem suas vantagens. Assim como não dobra, não amarrota! A calça foi uma pechincha. A gravata foi de crochê, gente! Que coisa fina! O cinto foi bem em conta, e ainda veio com uma carteira de brinde. Agora, o melhor foi o sapato. Não, não, não!! O sapato foi a grande aquisição do dia. Por cima, um plástico azul (plástico!) com fingimentos de costuras em detalhes brancos. Em baixo, um solado de altíssima qualidade. O material chamava atenção pelo conforto (sem trocadilhos, meu amigo!) de quem pisava sobre ele. Parecia-me que viera direto de uma fábrica de baldes. Sabe aquele plástico de balde? Era esse. Que tal caros alunos? Eu fiquei impecável.

Eu devia ter guardado aquele sapato...

Bom, amigos. Naquele dia, eu formei. Hoje, eu ajudo a formar. Tanta coisa aconteceu de 1987 até 2000. E depois de 2000 até aqui. Não sabia ali, escondido com aquela vestimenta inesquecível, que um dia eu poderia estar em cima do palco, olhando para os que estariam no meu lugar. E assim foi. Nesse tempo, encontrei pessoas e despedi-me de pessoas. Olhe para os seus colegas, vamos pensar juntos, (e é preciso ter coragem) quantos deles você verá daqui a um ano? E daqui a 10 anos? Onde eles estarão daqui a 30 anos? Não estou propondo melancolia. Quero dizer que esse momento aqui é mágico. Vocês um dia vão reconhecer. Esse momento é mágico. (...) Muitos de nós tentamos dar uma definição da vida mas entre todas, a que mais me toca está em uma canção, escrita por dois mineiros chamados Milton Nascimento e Fernando Brant. Na letra, eles fazem da vida uma analogia com uma estação de trem. Eles dizem (e vocês conhecem) "O trem que chega/ É o mesmo trem da partida/ A hora do encontro/ É também de despedida". Qual o limite entre encontro e despedida? Quando olho para alguém não sei o que vai ser. Não sei como é com vocês. Posso parecer pessimista mas é exatamente o contrário. Pensar assim me faz sentir e fazer de cada momento mais intenso, mais feliz, mais verdadeiro. Por isso que me dá vontade de colocar um sorriso no rosto toda vez que vi e e vejo cada um de vocês, todos os dias. E vocês sabem disso. Viver intensamente deveria ser redundância. Vamos fazer um acordo. Vamos viver esse momento aqui para sempre. Vamos fazer dessa nossa trajetória aqui um exemplo, um exemplo a ser seguido. Uma tia maravilhosa que tenho, professora de filosofia no interior do Rio de Janeiro, que faz um trabalho memorável com menores carentes em uma fábrica de tijolos, irmã do meu falecido pai, enviou-me outro dia, por email: "Filho, O EXEMPLO NÃO É A PRINCIPAL COISA DA VIDA: É A ÚNICA." Eu sei, não existem bons e maus exemplos. Existem exemplos. Estamos em constante movimento para identificar o que é exemplo e o que não é. E então seguimos. E é necessário muito cuidado.

Precisamos de exemplos. Precisamos de pessoas que façam a diferença e precisamos fazer parte desse coletivo e precisamos aprender com elas. Quantas vezes diante daquela situação inusitada, aquela saia-justa, procuramos um exemplo no nosso imaginário? O que meu pai faria agora? Como meu avô agiria? O que minha mãe ou minha irmã faria nessa situação? Precisamos de atitudes que sejam exemplo. Precisamos de pessoas e exemplos como o do pai do aluno Roberlei. Ele acionou a justiça para que um shopping da cidade colocasse vidros nos seus andares. Vidro nos seus andares para não colocar biombos no térreo para separar compradores dos restos mortais de jovens, enfraquecidos por um instante que mergulhavam lá de cima. Roberlei, seu pai é um exemplo! (...) Precisamos ter exemplos de luta, de dignidade. Uma mulher que carregou lata d'água nas costas e hoje arrasta essa multidão para esse espaço, para essa comemoração, é um exemplo. Um garoto que engraxava sapatos, estudou e hoje ensina é um exemplo. Um homem que cuida de sua esposa até seu último momento e cria tão dignamente seus filhos, que agora multiplicam seu carinho, é um exemplo. Uma mãe e um pai que amam com responsabilidade e limite, é um exemplo. Com exemplo, as pessoas se agridem menos, sujam menos, engravidam menos, roubam menos, têm mais vergonha na cara. E que momento para falar de vergonha na cara. Tantas imagens feitas tão próximas de nós... O que mais me espantou foi uma ex-secretária de educação com aquelas mãos indiferentes colocando chumaços de notas dentro da bolsa. Aquilo foi uma faca se deliciando na carne viva, aos poucos... Quanto aos outros, eu não me espantei tanto. O que preocupa! Deixa pra lá... (vou voltar ao discurso) (...) Não precisamos de ídolos, precisamos de exemplos. Atrás de um exemplo, vai uma nação. Não faça mal as pessoas, isso não é exemplo. Não faça com ninguém, até um estranho, o que você não suportaria ver sendo feito com o seu pai, com o seu irmão, com um filho seu, até porque somos muito mais estranhos do que conhecidos. Faça mais esse exercício, pessoal. Prontos? Anotem aí: "ponha-se no lugar do outro". Não há exemplo nenhum no "jeitinho", no desperdício, no sexismo, no fascismo. Ah! E seja fiel. A gente precisa muito do exemplo da fidelidade. Escolher é uma decisão pessoal, mas seja fiel à sua decisão. Nas suas relações – no namoro, no casamento e na amizade, seja fiel à sua profissão e à sua empresa, seja fiel aos seus princípios. (...) Precisamos de exemplos. Educação é apresentar exemplos. Olha! Deixa eu contar uma coisa para vocês. Mas vocês devem me prometer: não contem isso para seus pais! Por favor! É sério! Aquela coisa de cortisol, capacitor, naturalismo, Balaiada, impressionismo, número atômico... Gente! Aquilo tudo era mentira! Aquilo era perfume. Aquilo tudo era espuma. A gente mentiu! Todos esses anos. Todos nós. Aquele pessoal ali, olha a cara deles: todos são mentirosos. Até alguns ali, sentados mais a frente... Seus mentirosos! A gente não queria ensinar nada daquilo. O que a gente queria era dar exemplo. Era isso que a gente queria. (mas não contem para seus pais, hein?!)

Bom. Já decidiram se tudo isso, agora, é um encontro ou despedida? Milton e Brant terminam dizendo "A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar". Vocês entraram nos vagões, alguns no mesmo lugar, outros pelas centenas de baldeações. Já pensaram em quantas possibilidades havia? Eu mesmo. Ao invés de estar aqui, poderia ter ficado na minha cidade, virado balconista de uma pequena loja, eu poderia estar vendendo roupas de formatura (minha vingança!). (...) Mas alguma coisa quis que eu seguisse até a estação e tomasse a aquela locomotiva. Foi uma boa escolha. E eu ainda me lembro com muito carinho dos outros 10 – os que formaram comigo - que tomaram outros caminhos. E todos vocês nessa mágica e improvável coincidência estão aqui também. Só peço a Deus que eu e todos os meus colegas – e não se esqueçam de todos os colegas, desde o maternal, os dois segmentos do ensino fundamental, o primeiro ano e o segundo ano - tenham se tornado exemplo para vocês. Um dia, vou ligar a tv, e acompanhar o Júlio ou o Heraldo anunciando que a Natália, o Mateus, a Bárbara, a Carol, Vítor, Isadora, Gabriel, Felipe, Micaela, Ana ou Lucas tiveram uma grande atitude, tornaram-se exemplos. (...) Aí, vou desligar a tv. (...) Ajeitar o travesseiro, (...) apagar a luz, (...)e dormir. (...) E sou vou acordar no outro dia. (...) Pronto para começar tudo de novo.


Muito obrigado por parar na nossa estação. Ela nunca mais será a mesma!