Anfíbio: um animal traiçoeiro

Fui ao Rio para uma cerimônia de entrega de um prêmio de um aluno do ensino médio orientado por mim.  Quando estávamos no aeroporto para retornar, passei em dos meus pontos comerciais favoritos: uma livraria. Olhei e decidi comprar dois jornais: "O Dia" - carioca e "O Estadão"- paulista. No caminho para Brasília, li o jornal carioca, cochilei um pouco e chegamos. Já em casa, à noite, li o jornal paulista. Detive-me em uma coluna, do sr. Fernando Reinach, do qual comprei um bom livro chamado "A longa marcha dos grilos canibais". Aliás, o livro é um compêndio de colunas publicadas no jornal citado. Adorei algumas histórias, sendo a melhor a do cachorro. O cachorro é um parasita humano. Gostei tanto que vivo contando essa passagem em sala de aula. Mas, Fernando, estou de luto pela classe dos biólogos fruto do que o senhor fez na vossa coluna, do dia primeiro de novembro de 2012.
Vou reproduzir um pequeno trecho abaixo.

Você já tentou pegar uma lagartixa pelo rabo? Na hora que você agarra o rabo e vai levantar a lagartixa, ela solta o rabo e sai correndo. Você fica com o rabo na mão e cara de trouxa. É assim que ela escapa dos predadores, entrega o rabo e preserva a vida. O mais interessante é que o rabo regenera ao longo de semanas e rapidamente a lagartixa fica como nova, pronta para reagir a outro ataque.
Outros répteis, como as salamandras, podem deixar para trás uma perna inteira. Semanas depois, uma perna nova aparece no lugar. 
Estou chocado!
Nosso estimado professor Reinach dispensa apresentações mas cometeu um erro excessivamente primário para alguém de sua suntuosidade: chamou salamandra de réptil.
As salamandras não são répteis, elas são anfíbios. Pertencem a ordem urodela ("os com cauda"). Difere por diversas razões dos répteis que apresentam alta queratinização na pele, pulmões desenvolvidos, anexos embrionários como alantoide e amnion, ovo com casca, ausência de larvas, fecundação interna. Fernando escreveu muito sobre zoologia e é admirável que tenha cometido tal falha. Eu erro, todos erramos, um clichê quase desnecessário. Mas há erros e erros. Prefiro acreditar que o esquecimento, a desconcentração ou a falta de um revisor tenham permitido tal sacrilégio taxonômico. Eu escrevo aqui e meus revisores são meus atentos leitores. Eu até pensei em mandar um sinal de fumaça para o renomado biólogo brasileiro mas não encontrei na página do referido jornal, um link para que pudesse me comunicar. Faz quase uma semana que o artigo está lá (na página da internet) e continua com o crasso equívoco.
As salamandras podem deixar uma pata para trás. 
Mas não deixaremos para trás, silenciados, um duro ataque ao senso mínimo das ciências biológicas. Por isso, brado: SALAMANDRA NÃO É RÉPTIL!

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