quinta-feira, junho 21, 2007

MACONHA: remédio ou dor de cabeça?

    De certo, o tratamento que Europa e Estados Unidos oferecem para a maconha são distintos. E nós, entre fogo cruzado, somos fortemente influenciados pela posição norte-americana. A maconha é um estorvo (mais um) para a humanidade. É sinônimo de coisa ruim, abominado pela cultura brasileira (embora menos que outrora). E é mesmo. Ou não?

    Os Estados Unidos propagandearam a maconha (Cannabis indica e C. sativa, angiosperma, dicotiledônea) como "coisa de mexicano do mal". Um vídeo canadense de 2000, ("Maconha (Grass) – a história verdadeira da proibição da cannabis"), proclama – sem pressões – a trilha da proibição da droga no território americano e no mundo. A marijuana (como também é chamada) está em uma lista da ONU juntamente com a heroína e a cocaína como "drogas perigosas, sem uso medicinal". Essa posição parece não ser a holandesa. Qual é a da maconha?

    No Brasil, a maconha é proibida. Para quaisquer fins. Legalmente, até o porte de pequenas quantidades é delito. Antes de qualquer outro sofisma sobre ela, é necessário lembrar disso. A maconha é motivo penal nesse país.

    Em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém, colocou mais uma vez o dedo na ferida. Ele é considerado um dos maiores especialistas em bioquímica de Cannabis do mundo. Foi ele que descobriu o THC (tetrahidrocanabinol), a molécula responsável pelo "barato" da planta. Sua convicção atual é de que a maconha tem importantes efeitos terapêuticos, negligenciados e discriminados pelo "mundo americanizado".

    Sua publicação mais recente salienta um importante efeito antiinflamatório que a maconha possui. Seus resultados com camundongos são satisfatórios. Uma substância isolada a partir dela, o canabidiol, interefe ferozmente na liberação de um fator central para a resposta inflamatória – o fator de necrose tumoral. As perspectivas, já testemunhadas em animais de laboratório, são as de que possam ser usadas para o tratamento de graves problemas de fundo imunológico como diabetes, esclerose múltipla e artrite reumática.

    Mechoulam e seu grupo determinou também, no início dos anos 90, que existem canabinóides (miméticos da maconha) endógenos, ou seja, fabricados pelo próprio corpo. Determinou também que eles atuam em mais de vinte processos fisiológicos diferentes como dor, ansiedade, apetite, estruturação óssea, entre outros. A anandamida ("Ananda" em sânscrito significa "alegria esplêndida") é um endocanabinóide estudado. Ele aumenta no cérebro em ocasiões de dor. Assim, abriu portas e janelas para estudos da interferência positiva dos canabinódies na fisiologia de um doente para ajudá-lo. Empregos para doenças neurológicas, por exemplo, já foram feitos, segundo ele, com bons resultados.

    Síndrome de Tourette. O paciente tem rompantes de agressividade (especialmente verbal) o que os torna com graves dificuldades sociais. De repente, gritam, xingam, fazem coisas que até Deus duvida. O tratamento convencional é feito por Haldol, medicação que pode não ser tolerada e nem eficiente por todos. Fumando maconha, há sinais de melhora. Seria uma alternativa.

    Pacientes com câncer e aids também podem usar do baseado para aliviar deus agouros. Há relatos de satisfação. Inclusive (pasmem!) de crianças que sofriam de leucemia.

    Como pesquisar diante de tanta resistência? Como evitar o uso recreativo e desnecessário da droga? Como evitar o problema social do vício, do tráfico, da responsabilidade social, da sobriedade do cidadão para garantir os direitos dos outros? Os problemas com o álcool me parecem já ser bem ilustrativos. Como preservar o direito do indivíduo? Como resolver essa parada histórica? Qual é o caminho: Europa ou Estados Unidos?

Um comentário:

Verber disse...

Acredito que o álcool e cigarro, os que justamente causam dependências e os que realmente não tem nenhum uso terapêutico são liberados por questão CULTURAL!!! E justamente pela cannabis não ter nenhum vínculo cultural no Brasil a sua liberação seria vista como afronta aos bons costumes.
Agora, vale lembrar que a hipocrisia também faz parte da nossa cultura brasileira, e essa nos faz ficar-mos mais longe da verdade sobre os estudos da erva.