domingo, agosto 03, 2014

SÉRIE ENEM: DENGUE

   No Brasil, a história da dengue tem sua retomada com a epidemia de 1986, no Rio de Janeiro, capital. Na época, eu era estudante do segundo ano do ensino médio, em Valença, no interior do Estado, a 150 quilômetros da capital. O problema não chegou lá. Hoje está. Quase trinta anos depois, a situação é crítica. Todo o país está sujeito  aos casos da doença. Ultrapassamos 1 milhão de casos no ano passado. Mais de uma morte por dia. O que é a dengue e por que não a controlamos?
            A dengue é uma virose, causada por cinco formas do vírus: DEN-1, DEN-2, DEN-3, DEN-4 e, recentemente descoberto, o DEN-5. No Brasil, circulam as quatro primeiras formas. Trata-se de um vírus de RNA (mas não um retrovírus!) transmitido pela saliva do mosquito fêmea da espécie Aedes aegypti. O mosquito é de origem africana, como se percebe pelo nome. Mas pode ser considerado plenamente naturalizado, brasileiríssimo. A doença tem uma incubação de 7 dias e período sintomático de 7 dias. Os sintomas desaparecem por auto-cura, haja vista que não existem medicamentos específicos para o tratamento. Após esses período, não se pega mais o mesmo vírus. Mas pode-se ter dengue pelas outras formas, após um ano da doença.
            O quadro comum da dengue é febre de aumento súbito e dores no corpo. Podem haver pontos hemorrágicos na pele e na língua mas não há motivos para preocupação. O paciente precisa ser hidratado e ter a febre controlada. O vírus ataca células da medula óssea ocasionando redução de leucócitos e plaquetas, o que aumenta os riscos hemorrágicos. Como algumas medicações são facilitadoras de hemorragia, como o acetilsalicílico, elas devem ser obviamente evitadas. A preocupação decorre da queda de pressão e risco de choque. Esse paciente deve entrar em tratamento intensivo. Normalmente, os casos graves ocorrem em portadores com outras morbidades, como doenças cardíacas.
            O vírus não está na água parada. O perigo da água está na potência de funcionar como criadouro para novos mosquitos. As fêmeas colocam seus ovos próximo de água parada, normalmente pouco acima do nível do líquido. Esses ovos podem permanecer viáveis por mais 400 dias. Ao eclodirem, levam entre 7 e 10 dias para chegar até a fase adulta. Como os mosquitos são insetos holometábolos, passam pelas fases de larva e pupa, ambas aquáticas. Os vírus são adquiridos pela sucção sanguínea das fêmeas, embora alguns mosquitos já nasçam com o vírus, fruto da transmissão transovariana (cerca de 1%).
            Os adultos se alimentam de material vegetal mas a fêmea copulada, procura dieta proteica sugando o sangue humano, preferencialmente. Dificilmente, o Aedes ataca animais domésticos: ele é antropofílico. Tem pico de atividade entre 6 e 10 da manhã e de 4 a 6 da tarde. Portanto, não costuma atacar na hora do almoço e muito menos à noite ou de madrugada.
            Apesar de anunciadas tentativas, não há vacina para a dengue.
            Por que o Brasil não consegue conter o avanço da dengue?
            A dengue é uma doença que ultrapassa os domínios da biologia e da medicina. A questão da dengue é multidisciplinar e passa principalmente por políticas públicas permanentes,  suprapartidárias e retro-avaliadas, educação da população, consciência coletiva, e democratização de informações e de tomadas de decisão. Apenas com um pacto social amplo e políticas de longo prazo e uma ação coletiva para melhor ordenamento urbano, os números irão melhorar. Pesquisei o quatro programas governamentais de 1997 até 2009, e apesar de eles se substituírem no tempo, a curva epidemiológica da doença só aumentou. Ou seja, todo esforço foi em vão. Dinheiro público mal gasto, inseticidas que envenenaram o meio ambiente sem o devido resultado, pessoas mortas. Se quiserem mais detalhes, leiam: http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/15318/1/2013_MarcelloVieiraLasneaux.pdf


Esse texto está disponível para download em: www.lasneauxcursos.com.br    

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