quarta-feira, março 05, 2014

Os vírus

O nome significa veneno. Assim foram designados. Na fronteira entre o vivo e o não-vivo, os vírus desafiam os conceitos. Em recente descoberta, um vírus “adormecido” há 30 mil anos foi trazido à “vida”. Entretanto, não teria morrido, nem tampouco renascido.  A questão insolúvel para todos nós, é que os vírus são dotados de vida transitória, momentânea, manifesta em certas condições, propiciadas pela natureza das células, com suas polimerases, nucleotídeos, aminoácidos e ribossomos.
            Wendell Stanley (1904-1971) recebeu, em 1946, o Nobel pelo isolamento do vírus, que realizou em 1935. Quando Beijerink provou que os vírus não eram toxinas e ao mesmo tempo não poderiam ser crescidos em um meio de cultura, sabia-se definitivamente que estávamos diante de uma nova entidade biológica, algo certamente novo, reduzido e polêmico. Os vírus podem apresentar míseros 20nm de tamanho, sendo menores que os menores ribossomos, o dos procariotos. Envolvidos por um capsídeo, de capsômeros proteicos, recobrem o cerne, região onde ocorre um ácido nucleico: DNA ou RNA. Uma única exceção encontrada até aqui é a do CMV (citomegalovírus) que apresenta as duas moléculas. O CMV é causador da mononucleose, doença branda, conhecida como doença do beijo, embora possa ser transmitida por outras formas. Quando congênita, inspira cuidado, uma vez que pode causar perda auditiva.
            Os vírus podem ser altamente específicos mas muitos apresentam grande espectro de ação, podendo infectar – em sua mesma forma – mosquitos, pássaros, cavalos e seres humanos, por exemplo. São responsáveis por inúmeras doenças humanas conhecidas como poliomielite, sarampo, raiva, rubéola, hantavirose, resfriados, gripes, herpes, catapora, verrugas, rotavirose, entre outras.
            Os vírus apresentam genes, de 4 a mais de 1000, dependendo do grupo. A taxonomia viral divide-os em seis classes, de I a VI. As duas primeiras, são de vírus de DNA e as outras quatro, de RNA.
            Em suas estratégias de proliferação, suas ações permanentemente utilizam a maquinaria celular para conseguir se multiplicar. Os vírus de DNA utilizam, por exemplo, a polimerase celular. Os vírus de RNA não podem usar essa espécie de enzima porque os RNAs celulares não conseguem se replicar. Dessa forma, os vírus devem portar uma polimerase própria, a RNA polimerase RNA-dependente, também chamada de replicase.

            A diversidade dos vírus é alta. Só em plantas, são mais de 2 mil tipos, ocasionando uma perda anual de 15 bilhões de dólares por ano. Entre os mais mortais para a espécie humana, historicamente, está o causador da gripe espanhola, na pandemia de 1918 e 1919, que ocasionou mais de 40 milhões de mortes. A gripe espanhola matou, entre tantos, o presidente Rodrigues Alves, presidente que durante seu mandato, trouxe Oswaldo Cruz para a grande cruzada sanitarista na capital da república da época, o Rio de Janeiro. A gripe espanhola foi causada pelo H1N1 e matou mais que a Primeira Grande Guerra, na qual morreram em torno de 19 milhões de pessoas.

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