Filósofo House e Doutor Sócrates


Outro dia li e comentei (vou postá-lo brevemente no blog) sobre um artigo publicado na revista Veja do sempre polêmico, "perturbador" da ordem e anti-lulista (para alguns, um intelectual chato) Diogo Mainardi. Ele relaciona o aquecimento global com andar de bicicleta, Sócrates e Platão. E Sócrates anda mesmo invadindo a área biológica de outras formas.


Sócrates dizia que a verdade só é verdade se permanecer de pé após bombardeada por todo e qualquer contra-argumento. Sócrates pode parecer estar visitando o óbvio mas é a base de todo conhecimento científico. A verdade deve ser algo falseável e ainda assim permanecer como verdadeira. Por vezes, algo é "verdadeiro" embora dependa de outras premissas para assim ser. Dessa forma, você diria que a verdade é relativa, e o relativismo é outra tônica do pensamento de Sócrates.


Voltamos para o presente e então encontramos mais uma das aventuras e desventuras do Sr. Gregory House (o inglês Hugh Laurie). Gosto muito da série por seus conflitos psicológicos, sua ironia inteligente, diálogos inteligentes, as relações humanas dissecadas e os corpos dissecados - muita medicina. Entre os episódios, já tivemos cisticercose, febre do carrapato, doenças genéticas, síndromes raras, etc. Acho que muitos críticos da série são mordazes quando salientam que não existe hospital como o chefiado pela Dra. Cuddy (Lisa Edelstein), um meio médico atípico, forjado com tanta idiossincrasia do personagem principal. É medicina, entretenimento, filosofia, psicologia e licença poética. Tem gente que não entende. Faz parte da ficção, por mais do lado da verdade que ela deseja estar.


House tem uma equipe que vivencia quadros clínicos sui generis. Pensa enquanto arrasta sua perna afetada por um infarto. Repele suas dores com constante uso de analgésicos sob forma de comprimidos. Diante de tantos sintomas contraditórios de seus pacientes, de suspeitas e "dessuspeitas", o tempo passa, o paciente piora e os "insights" salvadores do mestre dos diagnósticos improváveis ocorrem para encerrar os episódios de forma quase sempre feliz. Enquanto nada se encaixa, uma hipótese é presumida levando o paciente para uma cintilografia, uma tomografia, uma aplicação de antibiótico, uma cirurgia. É a praxe socrática de se chegar à verdade.


Favorito para entender o filósofo grego considerado divisor histórico, recomendo pílulas do senhor House. Mas não as de vicodina. Elas viciam.

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