sábado, agosto 26, 2017

Por que a escola não tem salvação?


A escola não pode ser salva. Nem os alunos que lá estão.
Ela está na mão da tecnocracia e de todo passado histórico, ditada por uma elite que deseja nos oferecer pão, circo, isolamento, conformação social e econômica, obediência civil, obediência à moral dos burgos e silêncio.
O espaço escolar é orquestrado como um lugar de alienação, onde os alunos entram para esquecer do tempo, para ocupar o tempo. O estado tutela o tempo do aluno para que o ditado não se materialize: "mente vazia, oficina do diabo." Essa alienação diminui roubos, drogadição e violência mas pra mim, pode ser feita de outra forma. Da forma como está, o sistema escolar repete a ideia dos tratamentos com insulinaterapia e trepanação no sombrio passado psiquiátrico. Tem o objetivo de amansar o indivíduo, só que com outros instrumentos de coerção, é um "novo arcaico". Sua missão é aniquilar o sujeito que o indivíduo poderia ser.
Se a escola fosse um sítio de transformação social, teríamos derrubados os reis há muito tempo. Teríamos uma governança para redução da desigualdade social, gastos equânimes, inovação, um outro território de justiça social, uma classe política mais representativa.
Mas a escola não o fez, nem poderia. A máxima platônica de usar a escola para manter o projeto hegemônico é pleno. O sossego das elites é o objetivo do projeto claro de adestramento e contenção social. A escola deveria ser um edifício de resistência social mas está a serviço do nosso opressor.
Os documentos reguladores da educação no Brasil é uma colcha de retalhos com ideias genéricas excelentes e empoderantes, mas com as leis específicas, como a LDB, que reduzem a liberdade de todos, entre outros pontos, interditando o direito ao ensino livre e autoritariamente impondo a escolarização compulsória. O próprio Darcy Ribeiro reconheceu isso.
E no cotidiano das coisas, a escola nega na prática o que não pode negar na teoria.
Os documentos sobre educação são tantos e absolutamente desnecessários. Para piorar, geram um aparato oneroso, um número absurdo de funcionários administrativos que consomem recursos e não atuam diretamente com a atividade-fim que seria ensinar. A escola é onerosa. Custa bilhões e não transformou o país.
No ambiente jurídico movediço e traiçoeiro, as decisões sobre a possibilidade de livre educação e de encerramento do período escolar são contraditórias e dentre essas contradições, padecem o pai, o filho e o espírito, santo ou não.
A inclusão escolar é uma tentativa reconhecidamente recheada de inconsistências. A escola privada geralmente não tem desejo de inclusão, por que é cara para eles; a escola pública cria suas "salas de recursos" que não dialogam com a sala regular, onde o aluno continua massacrado. O superdotado é uma figura desconhecida do grande público professoral e se tornam indivíduos subrrealizados e incompreendidos no bojo escolar; os diagnosticados como especiais são apenas tolerados; os entediados são todos os outros.
Afinal de contas, se pensarmos com todos os holofotes acesos, TODAS AS CRIANÇAS E JOVENS TÊM NECESSIDADES ESPECIAIS. Corremos o risco de fatiar tanto pedagogicamente nossos alunos, com tantos rótulos e seus "especialistas", que faremos tantas "salas de recursos" que o modelo tornar-se-á insustentável. E como capacitar os professores para tantas questões?
Sem margem para se livrar de tanta incompetência, burocratizada e dominada pelo projeto governamental atual de sucateá-la para então entregá-la para a iniciativa privada ou para pseudo-entidades que querem mudar a educação do Brasil, a escola não pode ser salva.
São regras intransponíveis.
Não há como avançar.
Então, o que fazer?
Temos que conquistar o direito de educar livremente, independente se a escola continuar a existir...
Assim, novos modelos surgirão, como o que proporei no próximo dia 22 de setembro, beneficiado pela suspensão do STF dos processos contra famílias que educam em casa.
Teremos um caminho seguro E LIBERTÁRIO para seguir, suportado pelas experiências e escritos de Tolstói, Rogers, Illich e Neill e ainda, na fenomenologia-existencialista. Onde todos são especiais independente da sua natureza, serão tratados A PARTIR das suas condições pré-ontológicas e ontológicas.
E todos juntos, com suas virtudes, suas limitações e com suas idades. Todos juntos. Como disse John Dewey, "vida é educação".
Então, que vivamos.
Por um outro lugar pedagógico.

Nenhum comentário:

O ensino-anfioxo

Provavelmente todos os professores de biologia brasileiros vão morrer sem ver um anfioxo. Mas passam mais tempo falando de...